inteligência artificial na formação veterinária
A Inteligência Artificial está redefinindo o ensino veterinário, aproximando teoria e prática por meio de simulações clínicas, aprendizado personalizado e apoio ao raciocínio diagnóstico.

Inteligência Artificial na Formação Veterinária: preparando profissionais para uma nova era da medicina animal

Autores:
Abílio Rigueira Domingos – CRMV MG 7365
Gustavo de Castro Bregunci – CRMV MG 7160


Subtítulo:

A IA está transformando a forma como futuros médicos-veterinários aprendem, praticam e se conectam com o conhecimento — exigindo uma nova mentalidade docente e institucional.


A sala de aula e o hospital-escola estão mudando

A revolução tecnológica chegou definitivamente ao ensino veterinário.
Hoje, universidades e hospitais-escola de referência já utilizam Inteligência Artificial (IA) para apoiar diagnósticos, gerar relatórios automáticos, simular casos clínicos e até treinar habilidades cirúrgicas em ambiente virtual.

O aprendizado deixou de depender apenas da observação direta do professor para tornar-se interativo, digital e personalizado.
Mas para que essas tecnologias realmente cumpram seu papel, é preciso mais do que investimento em equipamentos: é necessária uma mudança cultural profunda no modo como ensinamos e aprendemos Medicina Veterinária.


Do ensino tradicional à aprendizagem inteligente

Durante décadas, o ensino veterinário baseou-se em modelos presenciais, centrados na figura do professor e na repetição de procedimentos.
Com a chegada da IA, o estudante passa a ser protagonista de sua própria formação, aprendendo por meio de:

  • Simulações clínicas realistas, com feedback em tempo real;
  • Ambientes virtuais imersivos, que recriam atendimentos, cirurgias e diagnósticos por imagem;
  • Plataformas de gêmeos digitais, que permitem acompanhar o progresso individual de cada aluno e sugerem conteúdos personalizados conforme seu desempenho;
  • Sistemas de apoio à decisão clínica (AI-CDSS), que ensinam o raciocínio diagnóstico de forma interativa e orientada por dados.

Essas ferramentas não substituem o aprendizado prático, mas ampliam as oportunidades de treinamento e a segurança do estudante, que pode errar, testar e corrigir seus processos sem risco ao paciente real [1].


O novo papel do professor veterinário

O docente do futuro não é apenas um transmissor de conhecimento — é um mediador entre a ciência e a tecnologia.
A IA assume tarefas mecânicas, como corrigir testes, avaliar desempenho e sugerir conteúdos, permitindo que o professor concentre-se no que realmente importa: orientar o raciocínio clínico, o julgamento ético e o desenvolvimento humano dos alunos.

Para isso, é preciso que as instituições invistam em capacitação pedagógica e digital dos professores, garantindo que eles dominem as ferramentas de IA e saibam aplicá-las de forma responsável.
Mais do que ensinar a usar tecnologia, é necessário ensinar a pensar criticamente sobre ela.


Mudança cultural: o grande desafio da academia

O principal obstáculo para a transformação digital nas universidades não é técnico — é humano.
A implementação da IA demanda abertura à inovação, colaboração entre departamentos e quebra de hierarquias rígidas que ainda predominam em muitas instituições.

Professores e gestores precisam entender que a IA não ameaça a docência, mas potencializa o ensino, tornando-o mais inclusivo, eficiente e adaptável.
Essa mudança de mentalidade é o que diferencia instituições estagnadas de centros de referência em formação veterinária digital [2].


Benefícios práticos já observados

Diversos estudos mostram que o uso de IA no ensino médico e veterinário tem melhorado significativamente o aprendizado.
Pesquisas publicadas na Frontiers in Veterinary Science e na JMIR Medical Education indicam que:

  • Estudantes que utilizam simuladores de IA apresentam melhor retenção de conhecimento e desempenho clínico;
  • O aprendizado imersivo reduz o tempo necessário para atingir proficiência em procedimentos práticos;
  • Plataformas adaptativas permitem avaliações mais justas e personalizadas, respeitando o ritmo individual de cada aluno [3][4].

Além disso, a IA permite que hospitais-escola otimizem o uso de casos reais, priorizando alunos com maior prontidão técnica e garantindo segurança no atendimento aos pacientes.


O futuro do ensino veterinário inteligente

O próximo passo é a integração total entre IA, prontuários eletrônicos e plataformas de simulação clínica — criando ecossistemas de aprendizado baseados em dados reais e análise contínua de desempenho.
Esses sistemas poderão avaliar habilidades práticas, raciocínio diagnóstico e até indicadores de empatia na comunicação com os responsáveis.

A Medicina Veterinária caminha para um modelo em que o aprendizado será contínuo, personalizado e centrado em competências, formando profissionais mais preparados para um mercado cada vez mais tecnológico e interdisciplinar.


Conclusão

A Inteligência Artificial está redefinindo o ensino veterinário, aproximando teoria e prática como nunca antes.
Mas o verdadeiro avanço não virá apenas das máquinas — virá de professores e alunos dispostos a mudar a cultura acadêmica, valorizando a curiosidade, o pensamento crítico e o uso ético da tecnologia.

Formar veterinários na era da IA é mais do que ensinar medicina animal.
É formar profissionais que compreendam o poder e os limites da inteligência artificial — e saibam usá-la a serviço da vida.


Referências

  1. LONGHURST, G. J.; STONE, D. M. Artificial Intelligence and Simulation in Veterinary Education. Frontiers in Veterinary Science, v. 11, p. 1349188, 2025.
  2. WESTERMAN, G.; BONNET, D.; MCAFEE, A. Leading Digital: Turning Technology into Business Transformation. Harvard Business Press, 2021.
  3. KIM, S. et al. Artificial Intelligence–Assisted Learning and Assessment in Medical Education: Systematic Review. JMIR Medical Education, v. 6, e18301, 2020.
  4. XIAO, S. et al. Review of Applications of Deep Learning in Veterinary Diagnostics and Animal Health. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1511522, 2025.
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