Em 2026, o mercado veterinário brasileiro continua inserido em um setor pet grande, resiliente e relevante. O que mudou não foi só o tamanho do mercado, mas o jeito de competir. Hoje, clínicas e hospitais precisam lidar com um tutor mais digital, uma operação mais pressionada por custos, maior exigência por agilidade e uma necessidade crescente de organizar melhor agenda, atendimento, documentação e relacionamento. [1][2][3]
Na prática, isso significa o seguinte: em 2026, tende a crescer quem consegue combinar eficiência operacional, experiência do tutor e uso inteligente de tecnologia, sem perder segurança clínica e supervisão humana. O setor ainda oferece oportunidade, mas o ganho já não vem só de volume. Vem de gestão melhor. [2][4][5]
Resumo executivo
- O mercado pet segue forte, mas os sinais mais recentes apontam crescimento mais moderado e maior pressão por eficiência. [1][2]
- O tutor está mais acostumado com canais digitais, apps, e-commerce e WhatsApp, o que eleva a expectativa sobre velocidade e conveniência no atendimento. [4][5]
- Clínicas e hospitais veterinários seguem como canal relevante de acesso a produtos e serviços pet, reforçando o peso estratégico da operação clínica no setor. [2]
- Telemedicina, documentação, rastreabilidade e padronização ganham importância em 2026, especialmente para clínicas que querem crescer com segurança. [6][7]
- A tecnologia mais valiosa para a rotina veterinária é a que reduz gargalo real, melhora fluxo e ajuda a equipe a atender melhor. [4][6][7]
Panorama do setor veterinário no Brasil em 2026
O dado consolidado mais recente amplamente publicado mostra que o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, com alta de 9,6% sobre 2023. Dentro desse total, produtos veterinários somaram R$ 7,8 bilhões e serviços veterinários, R$ 7,7 bilhões. A mesma fonte destaca ainda que o Brasil tem, em média, 1,8 animal de estimação por residência, e que o consumo pet está fortemente concentrado na classe média, não no luxo. [1]
Já a leitura mais recente divulgada ao longo de 2025, com base no 3º trimestre, projetava um faturamento de R$ 77,3 bilhões para o setor, com crescimento tímido em comparação com anos anteriores. Nesse material, clínicas e hospitais veterinários apareciam como responsáveis por 17,5% dos canais de acesso a produtos e serviços pet, equivalentes a R$ 13,53 bilhões na projeção apresentada. [2]
Na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Animais de Estimação, realizada pelo MAPA em outubro de 2025, o panorama apresentado indicava 160,9 milhões de pets no Brasil, crescimento de 2,7% frente à população de 2023, com destaque para categorias que se adaptam melhor a espaços menores, como os gatos. O mesmo documento aponta que o faturamento de 2025 mostrava um avanço mais discreto, enquanto serviços e mercado veterinário apareciam entre os indicadores mais favoráveis naquele momento. [3]
O que isso significa para 2026? Que o mercado continua relevante, mas o jogo competitivo ficou mais técnico. Crescer depende menos de improviso e mais de processo, previsibilidade e experiência do cliente.
Tendência 1: gestão mais orientada por dados e menos por feeling
Quando o setor cresce mais devagar, os desperdícios ficam mais visíveis. Em 2026, a clínica que não acompanha indicadores tende a perder margem sem perceber. Isso aparece em faltas, encaixes ruins, retorno mal aproveitado, orçamento sem follow-up, estoque parado, retrabalho da recepção e falhas de comunicação entre equipe e tutor.
Como os dados mais recentes mostram um mercado ainda forte, mas com avanço mais moderado, a tendência é que a gestão veterinária em 2026 fique mais dependente de indicadores como:
Taxa de ocupação da agenda
Ajuda a entender se a clínica tem demanda insuficiente ou problema de distribuição dos atendimentos.
No-show e cancelamentos
Revelam falhas de confirmação, lembrete ou percepção de valor do atendimento.
Ticket médio e mix de serviços
Mostram se a clínica está crescendo por volume, por valor ou apenas absorvendo inflação.
Giro de estoque
Evita capital parado e reduz perda com compras mal planejadas.
Tempo de resposta no atendimento
Afeta diretamente conversão, percepção de organização e experiência do tutor.
Definição prática: gestão orientada por dados é usar números simples da operação para decidir melhor, antes que o problema vire prejuízo.
Tendência 2: atendimento mais digital, híbrido e imediato
O comportamento do consumidor pet já mostra uma digitalização clara. A Kantar registrou que, em 2024, o e-commerce de alimentos para cães e gatos atingiu R$ 670 milhões, chegou a 4,5% dos lares brasileiros e cresceu 36% em volume no ano. A mesma análise afirma que o canal digital já representa cerca de 5% do volume total comercializado nessa categoria, com salto de 117% em dois anos. [4]
Em outro recorte da Kantar, os aplicativos passaram de 32% para 39% de relevância dentro dessas compras, enquanto o WhatsApp respondeu por 45% das solicitações. Além disso, 62% das famílias brasileiras colocaram alimentos para pets no carrinho, e o canal especializado perdeu participação em volume, enquanto o digital ganhou espaço. [5]
Na prática, a clínica de 2026 não concorre apenas por competência técnica. Ela também concorre por facilidade de acesso. O tutor espera contato rápido, confirmação simples, continuidade no atendimento, lembretes, menos repetição de informação e mais clareza no pós-consulta.
Isso fortalece o uso de:
WhatsApp com fluxo organizado
Não basta responder. É preciso responder com contexto, continuidade e padrão.
Confirmação automática de consultas
Uma rotina simples pode reduzir faltas e melhorar ocupação da agenda.
Check-in e coleta prévia de informações
Quanto mais a equipe recebe dados antes da consulta, mais fluido fica o atendimento.
Histórico centralizado
O tutor percebe valor quando a clínica sabe quem ele é, quem é o pet e qual foi a última orientação.
Definição prática: atendimento digital híbrido é quando a tecnologia reduz atrito, mas o vínculo e a decisão clínica continuam humanos.
Tendência 3: telemedicina veterinária mais madura e com limites mais claros
A telemedicina veterinária já não deve ser tratada como improviso em 2026. A Resolução CFMV nº 1.465/2022 segue como referência regulatória importante e permite a prática a médicos-veterinários com inscrição ativa e pessoas jurídicas registradas com ART. A norma também deixa claro que a tecnologia deve respeitar critérios legais, éticos e de registro em prontuário. [6]
O ponto mais importante para a gestão é este: apenas na teleconsulta é permitida definição diagnóstica, conduta terapêutica, solicitação de exames ou prescrição. Isso é vedado em teletriagem e teleorientação. Além disso, a teleconsulta não é permitida em casos de urgência e emergência e depende de Relação Prévia Veterinário-Animal-Responsável devidamente registrada. [6]
Para 2026, a leitura mais segura é que o remoto funciona melhor como extensão organizada do presencial. Ele ajuda no acompanhamento, no filtro inicial, no telemonitoramento e na comunicação com o tutor, mas não substitui o raciocínio clínico, o exame físico e os limites éticos da profissão.
Tendência 4: documentação, rastreabilidade e segurança ganham peso
Um dos sinais mais importantes para 2026 é o fortalecimento da cultura de registro. Em evento do CRMV-SP sobre documentação, ética e novas tecnologias, especialistas destacaram que a telemedicina é mais rastreável, o que exige ferramentas seguras, prontuário bem preenchido e prescrição com todos os elementos necessários. O mesmo conteúdo reforça a necessidade de termos de consentimento e conhecimento da legislação profissional. [7]
Essa tendência vai muito além da telemedicina. Em 2026, clínicas que documentam melhor tendem a operar com mais segurança, menos ruído interno e mais capacidade de treinar equipes. Documentar bem ajuda a proteger o profissional, melhorar a continuidade do cuidado e dar mais consistência ao serviço.
Definição prática: rastreabilidade clínica é conseguir saber o que foi feito, por quem, quando, com qual orientação e com qual registro.
Tendência 5: tecnologia útil e IA aplicada à rotina, não só ao discurso
No mesmo material do CRMV-SP, a IA é apresentada como uma tecnologia com potencial de apoiar diagnóstico, tratamento e velocidade de processamento, desde que usada em conjunto com o profissional e com atenção à ética e à sensibilidade no atendimento. [7]
Isso conversa diretamente com o que o mercado precisa em 2026. O uso de IA na veterinária tende a fazer mais sentido quando aplicado a tarefas como:
Triagem inicial e organização do atendimento
Ajuda a ganhar velocidade sem transformar o contato em algo frio.
Apoio à documentação
Reduz retrabalho e acelera registros importantes.
Padronização da comunicação
Facilita orientações, confirmações e retornos.
Análise de indicadores operacionais
Ajuda o gestor a enxergar gargalos com mais clareza.
O ponto central é simples: em 2026, a tecnologia que mais agrega valor é a que deixa a equipe mais disponível para cuidar bem, e não a que tenta substituir julgamento clínico.
Tendência 6: formação ampliada exige mais onboarding, supervisão e cultura de processo
Um estudo divulgado pelo sistema CFMV apontou 580 graduações presenciais autorizadas e 87.417 vagas anuais em Medicina Veterinária, em dados de janeiro de 2025, levantando preocupação com expansão acelerada e lacunas de qualidade, supervisão e formação prática. [8]
Para a clínica em 2026, isso tem uma consequência prática: contratar bem continua importante, mas já não basta. Cresce a necessidade de protocolos, treinamento interno, supervisão, roteiros de atendimento, cultura de documentação e clareza operacional. Equipe boa sem processo tende a oscilar. Equipe mediana com processo claro costuma entregar melhor.
Para aprofundar este tema
Você também pode conectar este artigo com conteúdos internos como:
- gestão veterinária inteligente: como tomar decisões baseadas em dados
- telemedicina veterinária: o que muda na prática e na legislação
- check-in digital veterinário: como agilizar a rotina da clínica
- chatbots com inteligência artificial no atendimento veterinário
- como reduzir custos operacionais em clínicas veterinárias com automação
- eficiência administrativa: relatórios que todo gestor veterinário deve acompanhar
O que fazer na prática em 2026
Em vez de tentar transformar tudo de uma vez, o melhor caminho é começar por um diagnóstico simples da operação:
1. Meça os gargalos
Veja onde a clínica perde tempo, resposta, agenda ou continuidade.
2. Padronize o atendimento
Organize mensagens, confirmações, retornos e passagem de informação entre setores.
3. Revise a documentação
Garanta prontuário consistente, segurança jurídica e boa rastreabilidade.
4. Use tecnologia em pontos críticos
Agenda, CRM, atendimento inicial, follow-up e documentos costumam gerar ganho rápido.
5. Treine a equipe com base no fluxo real
A operação melhora quando todos sabem como agir nas etapas mais repetidas da rotina.
É aqui que soluções como a IA de atendimento da ConnectVets, o ConnectVets Flow e o ConnectVets Notes entram com força. Em vez de adicionar mais complexidade, a proposta é organizar o fluxo, centralizar histórico, automatizar contatos importantes e acelerar a geração de documentos e registros, para que a equipe gaste menos energia com tarefas repetitivas e mais tempo com o que realmente depende de atenção clínica e relacionamento.
Em 2026, a clínica que tende a crescer melhor não é necessariamente a que adota mais ferramentas. É a que escolhe melhor onde aplicar tecnologia, organiza sua operação e oferece uma experiência mais clara para o tutor.
Se esse é o seu momento de rever atendimento, gestão e produtividade, fale com um consultor da ConnectVets pelo botão flutuante do WhatsApp ao lado ou pelo botão “Testar agora” no topo da página.
Perguntas frequentes
O mercado veterinário continua em crescimento em 2026?
Sim, mas os sinais mais recentes apontam um crescimento mais moderado do que em anos anteriores. Isso aumenta a importância da eficiência operacional.
O que mais mudou no atendimento veterinário em 2026?
A expectativa por rapidez, conveniência e continuidade. O tutor quer atendimento mais fluido, principalmente em canais digitais.
Vale a pena investir em automação na clínica veterinária?
Vale quando ela resolve gargalos reais, como demora no atendimento, faltas na agenda, retrabalho e falhas de acompanhamento.
Telemedicina veterinária pode substituir a consulta presencial?
Não. Ela complementa a jornada e tem limites regulatórios claros, especialmente em diagnóstico, prescrição e urgência.
IA pode ajudar sem comprometer a qualidade do atendimento?
Sim, desde que seja usada como apoio à rotina e não como substituição da decisão clínica humana.
O que uma clínica pequena deve priorizar primeiro?
Agenda, padrão de atendimento, histórico centralizado e documentação. Esses pontos costumam gerar ganho rápido.
Referências
[1] Informações Gerais do Setor | ABEMPET
[2] Setor Pet no Brasil – Projeção do Faturamento em 2025 (base 3º trimestre) | MAPA / ABEMPET / Abinpet
[3] Memória da 44ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Animais de Estimação | MAPA
[4] Comércio eletrônico de alimento para cães e gatos atinge maior patamar desde 2020 | Kantar
[5] Alimentos para animais de estimação lucram mais em 2024 | Kantar
[6] Resolução que regulamenta a telemedicina veterinária é publicada: entenda como funciona | CRMV-SP
[7] Semana do médico-veterinário: palestras abordaram documentação, novas tecnologias e ética | CRMV-SP
[8] Ensino médico-veterinário em xeque: estudo do CFMV expõe expansão acelerada, lacunas de qualidade e um plano para proteger a sociedade | Revista CFMV

