Autores:
Abílio Rigueira Domingos – CRMV MG 7365
Gustavo de Castro Bregunci – CRMV MG 7160
Subtítulo:
Chatbots inteligentes estão revolucionando a comunicação entre clínicas veterinárias e responsáveis, oferecendo agilidade e disponibilidade contínua — mas também levantando novos desafios éticos e operacionais.
A nova era do atendimento automatizado
A rotina de uma clínica veterinária moderna envolve um volume crescente de interações: agendamentos, dúvidas, retorno de exames, orientações e lembretes.
Com a expansão do uso de Inteligência Artificial (IA), os chatbots conversacionais passaram a desempenhar um papel estratégico nesse processo, automatizando a comunicação inicial e o suporte básico ao responsável, sem substituir o atendimento clínico.
Esses sistemas utilizam modelos de linguagem natural (NLP) e algoritmos de aprendizado de máquina capazes de compreender perguntas, interpretar o contexto e responder de forma personalizada.
Na prática, isso permite que o chatbot simule um diálogo real, auxiliando o responsável a obter informações, agendar consultas e até identificar sinais que exijam avaliação imediata.
Segundo uma análise da Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health (CADTH, 2024), o uso de chatbots na saúde aumenta significativamente a disponibilidade de informação e reduz o tempo de espera em até 40% [1].
Como funcionam os chatbots com IA
Os chatbots veterinários são integrados a plataformas digitais, como sites, WhatsApp, redes sociais ou aplicativos próprios das clínicas.
Eles funcionam como assistentes virtuais inteligentes, atuando em diferentes frentes:
- Triagem inicial: coletam informações básicas sobre o paciente e orientam o responsável quanto à necessidade de atendimento imediato;
- Agendamento automatizado: integram-se a sistemas de gestão, reduzindo o trabalho administrativo;
- Lembretes e acompanhamentos: enviam notificações de vacinas, retornos e medicações;
- Orientações gerais: esclarecem dúvidas frequentes sobre cuidados, nutrição ou pós-operatórios;
- Atendimento 24 horas: garantem que a clínica mantenha comunicação ativa mesmo fora do horário comercial.
Essas funções melhoram a experiência do cliente, aumentam a eficiência operacional e reduzem a sobrecarga das equipes de recepção.
Evidências de eficácia
Uma revisão publicada na Digital Health (2025) analisou 31 estudos sobre o uso de chatbots em ambientes de saúde e concluiu que essas ferramentas apresentam alto índice de satisfação dos usuários, melhor engajamento e boa precisão nas respostas informativas [2].
Na área veterinária, estudos recentes destacam o potencial dos chatbots em ampliar o acesso ao atendimento e melhorar a comunicação contínua entre clínicas e responsáveis [3].
Além disso, o uso de modelos de linguagem de última geração (LLMs) tem aumentado a empatia percebida nas respostas, tornando o diálogo mais natural e acolhedor — característica essencial na relação veterinário–responsável [4].
Em clínicas que implementaram esses sistemas, observou-se redução média de 30% nas chamadas telefônicas e diminuição de até 25% nas faltas em consultas, graças aos lembretes automáticos e comunicação ativa.
Limites e cuidados necessários
Apesar das vantagens, o uso de IA em atendimento requer supervisão profissional e cuidados éticos rigorosos.
Os chatbots não substituem o raciocínio clínico, tampouco devem oferecer diagnóstico ou prescrição.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Atualização constante do conteúdo, para evitar desinformações;
- Privacidade e segurança de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
- Transparência, deixando claro ao usuário que está interagindo com um sistema automatizado;
- Revisão periódica das respostas por médicos-veterinários responsáveis técnicos.
Com essas medidas, os chatbots se tornam ferramentas seguras, éticas e altamente eficazes, fortalecendo a imagem da clínica e melhorando o relacionamento com os responsáveis.
O equilíbrio entre tecnologia e empatia
A IA trouxe velocidade e precisão à comunicação, mas a empatia continua sendo insubstituível.
O segredo está no equilíbrio: usar a tecnologia para resolver tarefas operacionais, sem perder o contato humano que constrói confiança.
Chatbots bem programados e supervisionados permitem que a equipe se concentre no que realmente importa — o atendimento clínico e o vínculo com o responsável e o paciente.
Quando bem utilizados, são extensões da equipe veterinária, e não substitutos dela.
Conclusão
Os chatbots com Inteligência Artificial representam um avanço real no atendimento veterinário, trazendo eficiência, agilidade e qualidade à comunicação com os responsáveis.
Contudo, seu sucesso depende de ética, supervisão técnica e cultura organizacional voltada à inovação consciente.
A tecnologia não veio para tirar o papel humano do cuidado — mas para ampliar a capacidade do médico-veterinário de cuidar melhor, com mais tempo, informação e empatia.
Referências
- CADTH – Chatbots in Health Care: Connecting Patients to Information. Canadian Journal of Health Technologies, v. 4, n. 1, 2024.
- BARREDA, M. et al. Transforming Healthcare with Chatbots: Uses and Applications — A Scoping Review. Digital Health, 2025. DOI: 10.1177/20552076251319174.
- CHU, C. P. ChatGPT in Veterinary Medicine: A Practical Guidance of Generative AI in Clinics, Education, and Research. Frontiers in Veterinary Science, v. 11, 2024.
- JOKAR, M. et al. AI Chatbots in Pet Health Care: Opportunities and Challenges for Owners. Veterinary Medicine and Science, 2024.

